Flexibilizações e temporada de verão podem fazer SC enfrentar 4ª onda da pandemia?

Países da Europa e Ásia Central enfrentam um novo aumento de casos da doença e situação acende alerta no Brasil

Enquanto Santa Catarina e o Brasil vivem dias melhores em relação à pandemia do coronavírus, países da Europa e Ásia Central enfrentam um novo aumento de casos da doença.

Um levantamento da Fiocruz aponta que, apenas na última semana de outubro, os países dessas duas regiões foram responsáveis por 59% de todos os casos e 48% das mortes registradas no mundo todo.Na última segunda-feira (22), a diretora-geral adjunta de acesso a medicamentos e produtos farmacêuticos da OMS (Organização Mundial da Saúde), a médica brasileira Mariângela Simão disse que o mundo está entrando em uma quarta onda da pandemia. A declaração foi dada na conferência de abertura de um evento realizado pela Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva).

A situação nos outros continentes chama a atenção e acende a dúvida: Santa Catarina tem chance de enfrentar essa “quarta onda” da pandemia e ter novas restrições?Para o epidemiologista e professor do departamento de saúde pública da UFSC, Fabrício Augusto Menegon, o que difere o Brasil de alguns países europeus é a adesão à vacina.

“Essa piora na situação de lá é um somatório de fatores: a quantidade de pessoas efetivamente vacinadas, a flexibilização de medidas sanitárias precocemente, como a desobrigação do uso de máscaras e a falta de testagem em massa”, explica o professor.O infectologista Martoni Moura e Silva segue a ideia e aponta a falta de adesão a vacina em alguns países como fator preponderante para os números ruins.
“Infelizmente a aceitação pela vacina encontra resistência em alguns países no mundo”, lamenta o médico.

Chegada de turistas europeus pode ser um risco?Com o início da temporada do verão em Santa Catarina nos próximos meses e a chegada de turistas vindos da Europa, a reportagem questionou os profissionais se isso poderia ser um risco para um possível contágio.

Vale ressaltar que Santa Catarina segue a portaria do governo federal que autoriza a entrada de estrangeiros no Brasil por vias aéreas, desde que o passageiro apresente teste antígeno negativo para Covid-19, com até 24 horas antes do embarque, ou RT-PCR, realizado em até 72 horas anteriores ao momento do embarque.Na opinião de Moura e Silva, diante do cenário pandêmico o mais correto seria exigir destes turistas o esquema vacinal completo. “Não seria nada autoritário se fosse exigido o cartão de vacinação não só a nível de portos e aeroportos, mas também em eventos”, afirma o médico.

Para Menegon, a exigência de testes antes do embarque é um bom bloqueio para a entrada de passageiros que possivelmente estejam infectados. No entanto, o passaporte sanitário iria colaborar para um aumento na segurança do Estado.

“Países que adotam como regra de acesso as pessoas terem vacinação completa têm uma camada de proteção ainda maior e eficaz. Seria interessante, até por reciprocidade de barreiras, adotarmos o passaporte para turistas europeus, da Ásia e Estados Unidos”, opina.No último sábado (20) o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, não descartou a possibilidade do Brasil passar a exigir a apresentação do comprovante de vacinação de estrangeiros.

“Estamos estudando todos esses fatos para que se tenha mais segurança para a população brasileira. O Brasil está indo muito bem em relação a pandemia da Covid-19. Temos disponibilidade de leitos nas nossas UTIs. Então, vamos trabalhar de uma maneira harmônica para conseguir cada vez mais efetividade nessas políticas públicas”, disse na ocasião.

Medidas do governo de SCEm entrevista ao ND+ nesta semana, o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, afirmou que governo e cidades de Santa Catarina discutem ações para que a chegada de mais pessoas no verão não implique em um novo aumento de casos.

“Serão discutidos alguns pontos para o verão como a quantidade de barreiras sanitárias. Estamos em contato com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para recepcionar turistas em portos e aeroportos. Isso tudo precisa ser colocado em um grande debate para que a gente possa colocar da melhor forma possível”, disse.A previsão do setor hoteleiro é que a taxa de ocupação dos hotéis de Santa Catarina para o fim de ano supere os 80%.

Flexibilização no uso de máscarasO governador Carlos Moisés (sem partido) usou seu perfil em uma rede social para comunicar a flexibilização do uso das máscaras em locais públicos e abertos. O anúncio foi feito na noite desta quarta-feira (24), próximo das 21h30.

A deliberação, inclusive, já foi transformada em portaria que já está em vigor em todo o território catarinense.

Na opinião do infectologista, com a cobertura vacinal que Santa Catarina tem hoje – pouco mais de 67% da população total com duas doses – é segura a medida de desobrigar o uso de máscaras em ambientes abertos que não tenham aglomeração.“É necessário bom senso, se tiver aglomeração no local, coloque a máscara. A pandemia não acabou, a flexibilização não deve ser interpretada como o fim do combate ao vírus, medidas de higiene e uso da máscara em ambientes fechados devem seguir, além da vacina”, pontua.

Na opinião de Menegon, a desobrigação do uso do equipamento pode levar o Estado a uma situação semelhante a vista no continente europeu. A UFSC, inclusive, enviou um ofício ao chefe do Executivo catarinense nesta quinta-feira questionando a liberação.“Estamos flexibilizando medidas de controle que não devem ser flexibilizadas neste momento. Nossa população não está totalmente vacinada. A máscara é uma barreira importante para evitar a disseminação do vírus, além disso, registramos muitos casos diários”, alerta.

“O grande problema de medidas como essa é a mensagem que elas passam para a população. Parece que a pandemia está sob controle e que a volta à normalidade é a nossa realidade”, completa.O ND+ procurou a SES (Secretaria de Estado da Saúde) para comentar a fala, mas não obteve retorno até o fechamento do material. O espaço está aberto.

Carnaval em 2022A três meses do Carnaval, ao menos 10 cidades catarinenses com tradição na realização de eventos no período, já confirmaram que em 2022 a data não deve passar em branco. São os casos de Florianópolis, Laguna e Balneário Camboriú.

A reportagem questionou os profissionais se a realização de eventos no Carnaval poderia ser um agravante para um possível contágio do coronavírus.Na opinião do infectologista, a distância até o Carnaval – cerca de três meses – dá a Santa Catarina tempo para acelerar a vacinação, além de buscar os pacientes que estão faltando para que haja a realização do evento com segurança.

Para o professor e epidemiologista, a realização do Carnaval ainda é uma incógnita quanto a possível segurança sanitária no evento. “O grande termômetro para isso serão as festas de fim de ano e a temporada de verão somadas a estas novas flexibilizações no Estado”, opina.“Existe um risco grande no Carnaval para um possível aumento de contágio. Ele é uma festa popular que, por si só acontece aglomeração de pessoas. Acredito que a gente não tenha condição de fazer uma festa de maneira segura hoje”, completa.

Fonte: ND+

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