Novo mercado para carne suína de SC Negócios iniciam em 2018 e competição será acirrada

Ainda falta uma etapa para a completa formalização do acesso da carne suína brasileira para a Coreia do Sul: assinar o acordo sobre o certificado sanitário a ser adotado entre o Brasil e aquele país asiático. Essa formalidade exigirá entre 30 e 60 dias e, a partir daí, iniciarão as negociações para o fechamento de vendas. O presidente da Cooperativa Central Aurora Alimentos, de Chapecó, Mário Lanznaster, acredita que os primeiros embarques serão processados somente em 2018.

O dirigente considera difícil prever o volume de vendas porque “a caminhada será longa e está apenas iniciando”. Festeja como uma conquista dos produtores, das indústrias e do governo  a aprovação, pela Agência de Inspeção Sanitária e Quarentena (QIA) da Coreia do Sul, de três empresas catarinenses (as únicas do Brasil) habilitadas a exportar carne suína para o país:  BRF de Campos Novos, Aurora Alimentos de Chapecó e Pamplona Alimentos de Presidente Getúlio.

A Coreia do Sul é o quarto maior importador mundial de carne suína, com 600 mil toneladas anuais de compras no mercado mundial. Atualmente, esse mercado de 50 milhões de pessoas é abastecido pelos Estados Unidos, União Europeia, Chile e Canadá. Os norteamericanos são os maiores fornecedores, suprindo 40% das compras sul-coreanas.

Lanznaster analisa que a competição será acirrada. Os Estados Unidos são velhos parceiros comerciais e antigos aliados no plano militar. Além disso, a carne brasileira que ingressar no território coreano terá uma taxação de 20%, enquanto o produto americano é isento, assim como o chileno. Essa situação decorre do acordo comercial Brasil/Coreia.

Levando em consideração o preço médio da tonelada de carne suína no mercado externo – 2.500 dólares – essa taxação representará 500 dólares por tonelada exportada.

“Vamos iniciar a competição em clara desvantagem, mas, com o tempo e a persistência, poderemos ampliar a relação de troca, superando essas barreiras e melhorado os termos do acordo comercial”, acredita Lanznaster. Lembra que, para vender frango à Coreia, de quem se tornou grande fornecedor, o Brasil passou por processo semelhante.

As negociações estavam em curso há quase 10 anos. Foram determinantes na aprovação de Santa Catarina a situação sanitária (área livre de aftosa sem vacinação e livre de peste suína clássica), qualidade da cadeira produtiva, profissionalização do produtor e avançado estágio da indústria de abate e processamento.

ESTÁGIO

Santa Catarina é o único estado brasileiro livre de febre aftosa sem vacinação e também livre de peste suína clássica, com certificados da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), status sanitário diferenciado que foi um fator decisivo para a abertura de novos mercados. O Estado é o maior produtor e exportador nacional de carne suína do país. São cerca de 13 mil criadores integrados às agroindústrias e independentes, que produziram, em 2016, 969 mil toneladas de carne suína. Com um rebanho efetivo estimado em sete milhões de cabeças, o estado destina 28,3% da produção ao mercado externo.

MARCOS A. BEDIN

 

MB Comunicação Empresarial/Organizacional

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